Rio de Janeiro, outubro de 2010
Será que ele existe mesmo?
Uma coisa é certa: enquanto se está na roda cármica, o destino existe, sim. Você vai encontrar determinada pessoa, você vai tomar determinada atitude, você vai passar por determinadas coisas, etc., etc., etc. Afinal, essa é a motivação de sua vinda para a Terra. É isso que faz você ficar voltando, voltando e voltando.
E, se o destino existe, cadê o livre arbítrio? As pessoas acreditam em destino e também em livre arbítrio, mas os dois não costumam andar juntos. Veja, se o seu destino é ser pobre, onde está o seu livre arbítrio para ganhar dinheiro? Se o seu destino é encontrar uma determinada pessoa, onde está seu livre arbítrio para ser feliz com quem estiver na sua frente? O destino fecha as possibilidades. O destino tranca as oportunidades. Você até pode encontrar essa pessoa, por exemplo, mas será um sinal de que você ainda compartilha carma. Continue seu caminho, pois todos chegamos “lá”!
Bem, quando você dá um basta nisso, acaba esse negócio de destino. Não existe mais aquela pessoa específica para você encontrar nesta vida, para ser seu amor, seu amigo, seu parente, seu inimigo, seu malfeitor – todas as pessoas passam a ter, relativamente, um peso igual. Claro que você terá sua família, seus amigos, um carinho especial por um ou outro, uma certa indiferença por outros mais, mas vai respeitar o caminho deles assim mesmo. Quando chega a hora, deixa de existir também aquilo que você deve fazer ou vivenciar, lições que você deve aprender ou dar – tudo serão apenas experiências. Serão trocas que você vai fazer com o mundo, com o universo e com tudo que existe aí.
Mas, tudo bem, o destino faz parte de sua trajetória. Ele continuará existindo até você chegar em um ponto em que ele não faça mais sentido, em que você sinta, lá dentro, que não está, de fato, ligado a nada nem a ninguém. E é quando você verdadeiramente consegue se ligar às pessoas, às coisas e às situações, como se elas fossem únicas mesmo. É quando você atinge o tão falado amor incondicional. Antes desse ponto, todo amor, dito incondicional, é balela.
Sendo assim, siga seu destino enquanto você quiser continuar brincando de criar destino. Quando chegar a hora, você vai seguir seu livre arbítrio e os caminhos do despertar. E não se surpreenda se esse caminho sem destino não for como você esperava. Ter destino é um jogo e dá uma certa dinâmica à vida. Você vai sentir falta disso, não vou mentir; desses joguinhos, desse drama, de tudo que vem junto com o destino. Vai passar por um período bem caótico depois que o destino deixar de existir. Vai começar uma outra etapa da sua jornada, em que tudo fica pra trás e você divisa apenas o inesperado.
Chega de destino, de predestinações! Que venha o inesperado!