terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Iluminação

Rio de Janeiro, dezembro de 2011

Iluminação, Ascensão, Integração, Despertar... Não é tudo a mesma coisa?

É. Simples assim.

Gostamos de inventar muitos nomes, separar em compartimentos mentais diferentes, cada um com explicações diferentes, que às vezes se complementam ou não, mas é tudo a mesma coisa, sim. Quando você se ilumina, você está ascendendo, pois faz a integração do próprio eu, de todos os seus aspectos e as suas vidas, faz a integração de sua alma, da sua sabedoria, da sua divindade, seja lá o que for, pois aqui também damos muitos nomes. E isso é despertar.

Não há muito o que ser dito. Nós é que gostamos demais das palavras, das explicações, de detalhes. A simplicidade não é muito valorizada, mas é essencial para esse despertar.

Bom, é época de Natal, de fim de ano, e nada melhor do que usar isso como um empurrãozinho pra você se encontrar, permanecer no presente, encontrar a simplicidade das coisas, se aceitar, se amar e, assim, se iluminar. Em 2011, o caminho foi preparado. Que venha 2012, o tão esperado ano de transformações!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Animais

Rio de Janeiro, novembro de 2011

Será que se pode ter uma ligação de alma com eles?

Assim como os humanos, os animais progridem em sua evolução espiritual. Dentre os mais evoluídos na Terra estão o cão, o gato e o cavalo, cuja relação com o homem muitas vezes ultrapassa o âmbito de dono e animal de estimação.

Acredito que o modo com que você se relaciona com os animais também determina a sua própria evolução. Ter humildade e sabedoria pra considerar a soberania dos animais é um sinal da própria soberania.

O contato com um animal evoluído traz um retorno imenso para o seu aprendizado espiritual, seja através do amor incondicional que normalmente ele dedica a você, seja através do carinho que se estabelece entre ambos. E note que, quando há uma comunicação, onde não é preciso falar, usar palavras, onde o entendimento mútuo se estabelece sem esforço, esse é certamente um contato de alma, quer já tenha tido quer não uma relação com o animal nesta ou em outra vida. Esse contato também ajuda na evolução do animal, pois, nesse caso, é permitido a ele um nível de relacionamento mais elevado. Tanto você passa a considerá-lo como algo mais em sua vida, como ele passa a vê-lo como um ser especial também. Esse laço, portanto, não será desfeito, o que pode levar a futuros reencontros nesta vida ainda ou em outra.

Procure observar a relação, a comunicação, que você tem com seu animalzinho, ou com qualquer animal. É uma excelente oportunidade de aprendizagem pra ambos. Isso pode levar a uma amizade repleta de amor, carinho, consideração e respeito.

domingo, 16 de outubro de 2011

Criança e Educador

Rio de Janeiro, outubro de 2011

Como é essa relação?

Do ponto de vista da criança, o educador é aquele que a reprime, que não a entende, que parece viver noutro mundo que não o dela. Do ponto de vista do educador, a criança é aquela que tem que aprender o que ele tem a ensinar, que precisa ser encaminhada numa direção e que não sabe de nada porque ainda não viveu o bastante.

Considerando que a criança realmente tem dons, talentos, vontades e, normalmente, uma bagagem cósmica que acaba sendo desprezada, é o educador que precisa, primeiramente, aprender com ela antes de sequer pensar em orientá-la.

A relação entre criança e educador não deve ser do tipo ser inferior, que não sabe nada, e ser superior, que sabe tudo. É necessário que haja uma troca, como em qualquer relacionamento. Deve ser mais como uma parceria em que ambos demonstram respeito por receberem respeito do outro.

Ninguém é igual a ninguém, portanto, não pode existir uma receita de bolo que atenda todas as crianças. A cada uma deve ser dada a liberdade de escolher seus gostos, seus rumos, e, para poder orientá-la, o educador deve ser capaz de observar a criança, perceber a essência dela, tratá-la de igual para igual, ser amigo, ter diálogo contendo ou não palavras. Só assim ele aprenderá a natureza da criança e só assim ela desenvolverá a criatividade necessária pra ser feliz no que escolher fazer.

A grande questão é que o educador quer passar conhecimentos da mente e fazê-la esquecer os conhecimentos do sentimento. Seja mais cabeça e menos coração. O velho princípio de que, se é bom, não presta, pois sofrimento e trabalho árduo é que trazem louros. Louros superficiais, vazios e nem um pouco realizadores.

A Educação, seja a da escola, seja a dos pais, precisa dar uma virada, rever seus conceitos e valores, ser mais humilde. Sem criatividade, não tem quem aguente matemática!

Educador, seja esperto, a arte muda o mundo, porque a criatividade facilita o trabalho de todos, educadores e crianças. Se as crianças são criativas, o trabalho dos educadores é muito mais gratificante. Há troca, há retorno, há estímulo. Deixa de haver tensão e há um relaxamento propício a todo e qualquer aprendizado. Educador, seja esperto! As crianças agradecem.

domingo, 11 de setembro de 2011

Criança Interior

Rio de Janeiro, setembro de 2011

Quem é esse ser?

Muito se fala de cuidar da criança interior, mas pouco se sabe como é esse ser que habita cada um de nós. A criança interior que todos temos somos nós mesmos, ou seja, um resquício, um aspecto, do que restou de nossa infância, sempre tão sofrida em um ou outro aspecto.

Toda criança se sente abandonada, traída e invadida, em algum grau, pelo adulto que cuida dela, na maioria das vezes a mãe. Isso fica guardado dentro de nós e se manifesta quando somos adultos em intensidades e peculiaridades diversas.

Quando reagimos a situações e às pessoas, normalmente manifestamos essa criança ferida. Lançamos nossas mágoas em direção ao que for, coisa ou gente. No caso da relação com o outro, fazemos despertar a criança ferida desse outro e, assim, ambos prejudicamos o convívio saudável.

É preciso termos consciência do que acontece para que possamos responder a situações e às pessoas como adultos centrados e, então, permitirmos que a criança alegre e divertida se manifeste. Ela existe, sim, mas fica esquecida em algum cantinho do seu ser, dominada pela outra que, simplesmente, quer ser amada.

Mais uma vez reforço, o importante é se amar e não ficar se culpando e se julgando por tudo que fez, que faz e que fará. Abrace a sua criança no presente e, assim, você dará mais um passo para integrar todos os aspectos de seu ser e tornar-se uma pessoa plena e consciente.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Tornando-se mais leve

Rio de Janeiro, agosto de 2011



Isso é mesmo possível neste momento?



Parece inacreditável que o mundo esteja melhor hoje do que ontem. Parece inacreditável que a gente possa estar mais leve do que antes. Parece inadmissível que o planeta esteja evoluindo. Isso se considerarmos os acontecimentos que geralmente deixam a massa aflita.



Mas podemos, sim, ficar mais leves, apesar disso. Primeiro, não se deixe dominar por essa aflição. Quem se aflige é a massa e quanto menos gente fizer parte dela, menos haverá aflição. Mas como fazer isso? Simplesmente saiba (não acredite nem tenha fé – saiba) que nada acontece por acaso e que, mesmo não parecendo, tudo está bem como está. Isso, por si só, já traz um certo alívio. Mas, se quiser aumentar ainda mais essa sensação de bem-estar, pense assim: Tudo está certo porque é a partir desses eventos, considerados pela massa como assustadores e etc., que o planeta vai evoluir. Não importa entrar em detalhes de por que razão é assim. Isso é apenas a mente querendo entender. Saiba que não tem como retrocedermos, então, isso só pode estar nos levando a ficar mais leves e, assim, evoluirmos, enquanto humanidade.



Bom, se isso ainda não for suficiente pra você se sentir mais leve, busque outros recursos. Escolha alguma coisa que lhe dê essa sensação de bem-estar. Cante, dance, escreva, medite, passeie, relaxe, ande descalço na areia, na grama ou na terra, informe-se sobre a evolução espiritual da humanidade, não acompanhe o noticiário (que é um fardo que deve ser liberado), etc. Em você estando bem, a massa, aos poucos, vai ficar bem também.



Amar-se é fundamental. E, pra isso, precisa aceitar-se do jeito que é, com suas virtudes e seus defeitos. E, se você se aceita, por que não aceitar também o mundo como ele é? Não é pra concordar com todas as coisas que acontecem, mas aceitar que elas acontecem por razões maiores do que nossa mente é capaz de entender realmente nos traz um grande alívio. E, assim, nós nos tornamos mais leves. E, assim, tornamos a consciência de massa mais leve. E, assim, todo o planeta será um lugar cada vez mais leve pra se viver.




segunda-feira, 18 de julho de 2011

Consciência

Rio de Janeiro, julho de 2011

O que significa tê-la?


A maioria das pessoas acha que ter consciência é saber de alguma coisa. Mas ter consciência é mais do que isso e não precisa necessariamente disso. É claro que há uma sabedoria por trás da consciência, pois sem essa sabedoria dificilmente se tem uma consciência verdadeira das coisas. O que acontece é que, pra começo de conversa, as pessoas normalmente não sabem o que é sabedoria. Sabedoria não tem a ver com conhecimento, estudo nem nada disso. Sabedoria é uma conexão muito profunda com a consciência cósmica, a consciência de todas as coisas. Quando há essa sabedoria, você a traz para a sua vida e, então, você passa a ter consciência das coisas e a agir com consciência em outro nível, um nível que está acima de qualquer conhecimento aprendido pela mente.

Quando você tem consciência, você não deixa a mente controlar sua vida. A consciência é que utiliza a mente pra fazer e sentir coisas. A consciência vem com um sentimento verdadeiro que nada tem a ver com as emoções produzidas pela mente como dramas, paixões, sofrimentos, dores, exaltações, julgamentos e etc. O sentimento produzido pela consciência é neutro, é um sentimento que vem puro do coração, que vem do seu Espírito, que vem do seu ser como um todo, que vem como algo indescritível. Quando você tem consciência, você simplesmente sabe. Você não precisa mais acreditar ou não, entender ou não, buscar em outro lugar uma forma de ter consciência. Você sabe.

Agora, muitas pessoas acham que têm consciência, mas não têm, pois é muito fácil deixar a mente confundir esses conceitos e essas emoções. A razão, que se intromete em tudo, acaba distorcendo isso pra justificar que tem consciência. Por isso, é tão difícil dizer como alguém pode ter consciência e o que é ter consciência. Dá pra dizer um pouquinho o que não é, mas só quando se tem é que se pode saber mesmo o que é.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Caos

Rio de Janeiro, junho de 2011

Será que é mesmo preciso sucumbir a ele?


São muitas as mensagens que encontramos hoje em dia que sinalizam que o período é de caos. O que precisamos entender é que o caos não é, necessariamente, uma coisa ruim. Ele serve pra movimentar energias. Nós é que gostamos de julgar como bom ou ruim. Como o caos mexe com coisas que atrapalham a vida confortável, preferimos chamá-lo de ruim.

Nossa mente não gosta do caos porque ele ataca justamente aquilo em que ela acredita, os padrões em que ela se baseia. Ela fica confusa e começa a disparar mensagens equivocadas pra todo lado. Nessas horas, o melhor é respirar, respirar bem fundo e com consciência, confiar em si mesmo e sentir o fluxo da vida dentro de si. É uma coisa complicada de explicar, mas tente que você vai sentir o que é.

Não tema o caos. Ele é uma ferramenta pra ajudar a gente a superar muita coisa. E ele também não vem na figura do que você mais teme. Sua mente é que acha que é assim. O caos é apenas uma experiência pra ajudá-lo a confiar. Parece difícil, mas quando você entra em quem você realmente é, você não precisa mais enfrentá-lo, pois ele se torna seu amigo. Permaneça sendo quem você realmente é que você não vai saber mais o que é e onde está o caos.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Mãe Terra

Rio de Janeiro, maio de 2011

Quem é ela?

A Mãe Terra, ou Gaia, é um espírito que habita este corpo, o planeta Terra, desde que ele nasceu, ou seja, é o ser angélico que infundiu sua energia nesta rocha, originando todas as formas de vida.

Mas, como todos nós, ela precisa seguir seu caminho de evolução. Como nós, ela um dia também vai partir. Ela já está se preparando pra isso, mas alguns ajustes ainda precisam ser acertados até sua partida definitiva, daqui há um bom tempo ainda. E para onde ela vai? Vai seguir pra outros lugares, onde também infundirá vida. Vai dar origem a outros lugares como a Terra. Mas, vejam bem, com toda a experiência que Gaia acumulou enquanto esteve aqui, essas outras Terras já surgirão com uma energia de consciência muito mais evoluída do que a nossa, em seus primórdios.

E quem vai tomar conta desta Terra? É claro que somos nós, os humanos, que vamos assumir o papel de Gaia. Vamos cuidar da vegetação, das águas, enfim, de toda a natureza. Já estamos vendo o começo disso por aqui, sejam nas campanhas de conscientização, sejam nas atitudes dos jovens com relação a isso, sejam nas percepções que estamos tendo com nosso ser interior. Embora muitas pessoas ainda operem com base em velhos sistemas de crenças, nós, como um todo, estamos evoluindo, estamos começando a ter essa consciência primordial e, portanto, ficando aptos a nos tornar responsáveis pelo planeta.

Será que é pra ficarmos tristes, como ainda ficamos quando um ente querido se vai? Bom, muita gente tem ficado triste quando sabe que Gaia está partindo. Mas o foco deve ser o seguinte: ela está partindo porque estamos tornando este lugar um sucesso e não um fracasso. Estamos nos tornando competentes pra cuidar do planeta. Além disso, estamos dando oportunidade pra que existam outros lugares como a Terra e, portanto, mais lugares para se nascer e se desenvolver, lugares sem esta dualidade tão dura como a nossa.

Óbvio que muitos seres, seja aqui ou em outras esferas, não estão gostando muito disso, pois acreditam, piamente, que não somos capazes nem responsáveis. Daí, ficam interferindo, atrapalhando um bocado a nossa energia, a energia da consciência de massa. Em todo caso, como em todo filme legal, também teremos nosso final feliz: vamos transformar essa consciência de massa a todo custo e, em breve, teremos o tão sonhado paraíso na Terra.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Medo

Rio de Janeiro, abril de 2011

O que é essa coisa que parece nos dominar?

É claro que o medo é produto da nossa mente. Ele vem de um acúmulo de informações distorcidas a respeito das coisas. Medo é, na verdade, o contrário de Amor. Quando se ama tudo o que há, não se teme nada, pois o que existe não é bom nem ruim. Quando se tem medo, não há amor, pois é sinal de que não se gosta de alguma coisa. Portanto, você tem medo quando está pendendo mais para o lado da mente e você tem amor quando está pendendo mais para o lado do sentimento. É óbvio que as pessoas alternam o tempo inteiro entre mente e sentimento; então, entre momentos de medo e de amor. Quando alguém é apenas sentimento, o tempo inteiro, pode-se dizer, que encontrou a paz, iluminou-se. E quando é apenas mente, que encontrou a loucura – não aquela do “maluco beleza”; a tradicional –, a obscuridade do ser.

Bom, vamos considerar, então, os medos, as fobias, que são os medos exagerados, e a síndrome do pânico, que intuo como sendo um conjunto de medos e fobias que imobiliza uma pessoa, a sua atuação no mundo. Enfim, qualquer medo.

Num desenho animado, um personagem disse assim: “É engraçado como o medo se alimenta de si mesmo, como se fosse um carrapato inchado, prestes a explodir numa bolha enorme.” Esse carrapato, na verdade, é a mente. Quanto mais medo se tem, menos confiança se tem, ou no seu poder de superar o medo ou mesmo de vencer o objeto do medo, aceitando que ele aconteça ou aceitando a sua mestria que o impede, sem esforço algum, de acontecer. É o medo se alimentando do medo. Daí, a mente começa a fazer elucubrações a respeito do que você está sentindo. Ela, literalmente, dá asas à imaginação, sempre para o lado do medo e não do sentimento verdadeiro, digamos assim, acumulando informações que deixam você a ponto de pirar. É o carrapato prestes a explodir.

Já dizia Osho: “Você precisa ter um coração confiante. Uma mente confiante não adianta, porque estruturalmente a mente não pode confiar. Ela é incapaz de confiar. A mente só pode duvidar; a dúvida é natural para a mente, é intrínseca à mente. A cabeça nada pode fazer a não ser duvidar. Assim, se você começar a forçar crenças à cabeça, essas crenças só esconderão suas dúvidas.” E isso gera o medo, qualquer medo, medo de qualquer coisa.

Conclusão: O medo é mais um artifício da mente para que ela se mantenha no controle de todas as situações. Quando a mente “perde a mão” com relação à determinada situação, ela deixa de atuar na “normalidade”, na “lógica” simples, e o medo começa a dominar e a tirar o ser de seu próprio ser, ou seja, do sentimento verdadeiro, do “coração confiante”, do Osho. Quando se vivencia o medo extremo, seu próprio ser fica apagado. E, quando se tem noção, consciência disso, é que fica realmente assustador. Mas ao menos você vê o mecanismo atuando e esse é o primeiro passo para se livrar do medo.

Como aliviar essa pressão do medo: 1) Respirar, fundo e continuamente, pois a tendência, quando se está com medo, é quase a de suprimir a respiração, ajudando no quadro de desligamento do ser verdadeiro; 2) Tentar fazer a mente acreditar que você consegue, você pode, você é capaz de se equilibrar e ser você novamente. Às vezes, isso exige um gatilho, uma espécie de deixa para que a mente relaxe e se entregue a você. Esse gatilho pode ser falar com um amigo, fazer alguma coisa que distraia, etc.; 3) Aceitar que tudo são experiências que seu ser está vivenciando. Isso ajuda na hora que se sentir ridículo diante de outros ou de sua própria mente “normalizada”. É, porque diante do seu ser verdadeiro, não há bem nem mal mesmo, pois ele já sabe que são experiências; 4) Saber que um dia, isso vai passar, de um jeito ou de outro, aconteça o que acontecer.

Novos horizontes vão surgir sempre, certamente. Mas serão muito pessoais, muito diferentes para cada um...

domingo, 20 de março de 2011

Sentimento x Emoção

Rio de Janeiro, março de 2011

Será que é tudo a mesma coisa?


Sentimento, muitas vezes, é tratado como sinônimo de emoção. Mas existe uma diferença básica entre os dois.

O sentimento vem do coração e a emoção vem da mente.

É fácil entender que o sentimento vem do coração, mas pra quem acha que emoção é a mesma coisa fica difícil perceber que ela não vem de lá também, mas da mente.

Na verdade, a emoção é um falso sentimento, criado pela mente como uma espécie de defesa, para que ela possa ser vista no contexto do amor e do sentimento, para que ela se enquadre aí. Mas isso é uma ilusão. A emoção é resultado de um processo mental com relação às situações e circunstâncias, aos eventos e fatos.

E a gente acaba acreditando que está sentindo aquela emoção, resultado de uma “conversa” mental que diz que você deve ter determinada emoção em determinada situação. E isso desencadeia uma série de reações ditas emocionais que geram o drama, que seria o exagero dessas reações emocionais.

Enfim, a emoção ou o drama não vêm do seu Eu verdadeiro, não vêm do seu coração, não são sentimentos da sua alma. O sentimento que vem do coração não contém drama. Pode despertar uma tristeza ou uma alegria, mas tudo na mais tranquila paz, sem julgamentos com relação a bom e a ruim.

Com o despertar, a gente passa a ter muito mais sentimentos do que emoções e, acima de tudo, começa a perceber claramente a diferença entre ambos quando surgem. A gente consegue “ficar observando de fora” quando é o Eu ou quando é a mente que está atuando. Isso é um verdadeiro insight e, portanto, um sentimento incomparável, indescritível.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Imaginação

Rio de Janeiro, fevereiro de 2011

Será que imaginação é só coisa de criança, de artista ou de maluco?


Quando a gente fala de imaginação, imediatamente as pessoas pensam nas crianças e seus personagens imaginários, mas quando a imaginação está relacionada a um adulto, elas normalmente fazem uma associação positiva à criatividade de um trabalho artístico ou uma associação negativa à fuga da realidade em questões mentais. Imaginação pode ser tudo isso só que nada disso é positivo nem negativo.

Outra coisa, as pessoas costumam achar que devem desenvolver a imaginação das crianças com mentiras, contando ou criando histórias fictícias. Qual o resultado disso? A criança cresce e deixa de ter imaginação, seja porque se sentiu enganada ou porque, mesmo aceitando a mentira sem maiores traumas, passa a acreditar que aquilo era mesmo uma bobagem. Quem sabe não é esse o objetivo real dessas invencionices? Afinal, imaginação não é coisa de adulto, né? Ah, ah, ah! É aí que todo mundo se engana.

Vamos dar o exemplo do Papai Noel. Os pais que fazem as crianças acreditar em Papai Noel perdem toda a credibilidade depois que a história vem à tona, além de terem desenvolvido uma ilusão na criança e não a sua imaginação. Ao contrário, se as pessoas mostrassem Papai Noel como uma figura real, mas sem as características deste mundo físico, a criança nunca ficaria esperando que ele viesse de verdade deixar presentes pra ela, mas, em compensação, expandiria muito mais a imaginação vivenciando profundamente a mágica tão especial desse ser. Ou seja, falar de Papai Noel não pode vir da mente, precisa vir do coração.

A verdadeira imaginação não tem como base uma invenção, embora possa incluí-la. Não tem como objetivo a criatividade, embora possa ampliá-la. Não vem da mente, embora possa ser um belo exercício para ela. Não representa uma fuga da realidade, embora ajude muito a facilitar a vida cotidiana.

Desenvolva sua imaginação, pois ela ajuda a conectar você ao seu verdadeiro ser, ajuda a ligar você à mágica que você pode ter na sua vida normal. E isso vai abrir um horizonte completamente novo de possibilidades. Use a imaginação pra descobrir como é!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Não Importa Mesmo

Rio de Janeiro, janeiro de 2011

Será que isso vai contra a compaixão?


Algumas pessoas ficam na dúvida se a postura de não se importar com as coisas, pois tudo está bem como está, vai contra a compaixão e o amor incondicional. Não vejo como. O verdadeiro significado da compaixão não é aquele religioso que nos foi ensinado, onde inclusive sentir pena era cabível. Quando você tem compaixão, você respeita a vida de tudo e de todos com as escolhas de cada um. Isso é, na verdade, não se importar. É não se importar se determinada pessoa escolheu um caminho que você não escolheria. É não se importar se algum ser está sofrendo ou não, uma vez que faz parte da escolha dele, seja lá em que nível for. É não se importar se acontecem derrotas e tragédias ou vitórias e celebrações. Se alguém é assim ou assado. Se acabam algumas espécies de animais ou se surgem outras.

Não sei se conhecem, mas no seriado da Disney, Hannah Montana, o personagem Jackson Stewart, um rapaz considerado meio tolo, digamos assim, faz uma declaração surpreendente pra mim, que me marcou bastante. Foi num episódio em que ele estava “de saco cheio” de uma garota que adorava ele, mas era radicalmente ecológica. Quando ela fala que o aquecimento global está acabando com os ursos polares e os filhos dele não vão conhecer ursos polares, ele diz mais ou menos o seguinte: “Eu não conheci dinossauros e estou aqui, não fiquei mal por isso.” Achei o máximo como justificativa do “não importa”! Tudo está certo como está. Não sou eu que tenho que preservar os ursos polares ou seja lá qual for o animal. Tudo bem eu não ter visto dinossauros. Afinal, a natureza merece ser respeitada; ela sabe o que faz e, se não souber, também não importa. Tudo é mudança, é evolução.

Quando se fala de ter um equilíbrio entre compaixão e não se importar, até entendo, mas o que acontece é que "não se importar" não é esse horror todo que também nos foi ensinado. O significado de "não importa" não inclui "não gosta" nem "não respeita" nem "não envie seus bons pensamentos para o que tiver que acontecer", pelo contrário. Você simplesmente não carrega o peso, a preocupação e o medo que vem de um julgamento de que algo é ruim. Principalmente quando inclui morte... Por que morrer é ruim, gente? Só pra quem acha que tudo vai acabar... daí, pode ser meio difícil, meio complicado... “tenho que preservar a vida, pois depois não há mais nada”... Mas a gente sabe que há. Há mais vida! Vamos parar de nos preocupar com a morte e viver desde já!

Enfim, pra mim, compaixão e não importa são as verdadeiras bases para o amor incondicional. Amar sem julgar. Fala-se muito de amor incondicional, mas poucos sabem o que ele é realmente. “Eu tenho amor incondicional pelos animais, por isso, quero preservar as espécies.” Que afirmação mais equivocada! Isso é incondicional? Se você quer alguma coisa, pra começo de conversa, já está impondo uma condição. É claro que você pode continuar querendo coisas, mas sem interferir física nem energeticamente nas escolhas dos outros. As coisas que você quer virão, principalmente, se estiverem relacionadas a você mesmo, pois serão suas escolhas. Claro que você pode escolher não conviver com determinada pessoa que não o agrada, não comer determinado alimento de que não gosta, comprar ou não alguma coisa. Não importa. Mas outros também terão suas próprias escolhas, inclusive, de deixar o planeta!

Às vezes, esse papo todo soa meio chocante pra quem não está preparado, mas esse choque, essa revolta ou irritação possibilita uma quebra nos pensamentos obsoletos que a gente ainda carrega e que estão muito arraigados no fundo de nosso ser.

Bom, vamos seguir respeitando as escolhas! Até mesmo as nossas! Portanto, se quiser se importar que se importe. É sua escolha. Mas não venha dizer que não se importar vai contra a compaixão e o amor incondicional, porque antes o que acontece é que você não sabe bem o que é compaixão nem amor incondicional...