Rio de Janeiro, julho de 2014
Será que eu sinto paixão na vida?
Depende de como você define paixão. Porque, como tudo é relativo, existem paixões e paixões. Você pode ter paixão pelo futebol, aproveitando a deixa desta nossa Copa do Mundo que acabou de acabar. Você pode sentir paixão por uma pessoa, e até confundir isso com amor. Você pode fazer coisas com uma paixão, que nem mesmo sabe de onde vem.
Mas há uma paixão, digamos, maior que todas essas. É uma paixão que sempre existiu dentro da gente, mesmo que a gente tenha tentado encobri-la ou disfarçá-la. É a paixão por si mesmo, pela vida em si, seja ela como for, pois nada mais importa. Só que, às vezes, é difícil identificá-la, justamente porque a deixamos escondidinha no fundo de nosso ser.
Para trazer à tona essa paixão, é necessário acabar com toda a repressão. Repressão de sentimentos, de atitudes, de pensamentos. Quer reclamar, reclame, quer xingar, xingue. No início, vai ser meio complicado, não vai dar pra entender direito o que uma coisa tem a ver com a outra, mas, depois, você vai sentir que uma energia diferente está fluindo.
E, como passa a ser algo natural, você pode até deixar de fazer e voltar a ser como era; digo, aparentemente, pois você nunca mais será o mesmo. Mas pode voltar a ser como era, porque agora você sabe que é diferente, seja lá o que for, e que não há mais repressão. Isso é suficiente pra que não precise fazer a coisa (seja o que for), pois o ponto de vista, os motivos e os resultados agora serão outros. Haverá harmonia e tudo fluirá naturalmente.
Trabalhe pra acabar com a repressão, mas sem se forçar demais, mesmo que leve um tempo. Quando essa energia presa estiver livre, ela revelará junto essa paixão da qual falei, que é algo grandioso, acima de qualquer expectativa. E é quando a gente se sente chegando mais perto da iluminação.