Rio de Janeiro, junho de 2012
Por que queremos evoluir sempre?
Nós temos uma tendência a achar que precisamos sempre melhorar em alguma coisa, desde a aparência do corpo ou o modo de ser e agir, passando pelo conhecimento adquirido até o amplo desenvolvimento espiritual. É verdade que precisamos chegar até determinado ponto, ou seja, não vamos parar onde estamos e pronto, acabou. Não é assim. Há uma jornada, altamente proveitosa para o nosso ser, que deve ser percorrida. Mas é preciso saber quando chega a hora de parar. A pergunta é: Como vou saber quando é hora de parar?
É fácil, é bem simples, de fato. Basta estar atento ao sentimento, à sensação, que essa busca começa a causar dentro de si. Tenha consciência do que você sente quando faz as coisas. Quando você começa a se sentir obrigado a continuar buscando, sem saber ao certo se deve ou não fazer aquilo, ou melhor, se gosta ou não daquilo, quando você começa a fazer coisas que seria coerente fazer porque, afinal, você está evoluindo, mas aquela coisa não “bate lá dentro”, é porque chegou a hora de parar. Muitas vezes, você se vê buscando apenas porque, do contrário, acha que a vida não teria propósito e que você pode morrer por optar parar de evoluir. Como se fosse um suicídio espiritual, he, he, he.
Vão surgir outros indicativos de que você não precisa mais evoluir. Se antes você fugia das pessoas que não estavam “no caminho”, agora você quer fugir das que estão. É verdade. Elas começam a aborrecê-lo, e tudo mais passa a ser enfadonho. Você deixa de ver sentido, de encontrar respostas, de gostar dos resultados que aquela busca possibilita. Os papos ficam chatos... repetitivos é a palavra certa.
O melhor a fazer nessa hora é aceitar que acabou, é parar de buscar e começar a viver, sem preocupações, sem imposições a si mesmo, sem expectativas. Porque, enquanto estamos “no caminho”, temos muitas expectativas! E vai chegar o momento em que vamos ver que elas não vão ser atendidas mesmo, independentemente do que seja feito. É quando você se entrega sinceramente ao Eu Sou, porque, afinal, é tudo que resta. E dane-se o resto. Dane-se quem nunca buscou. Dane-se quem está buscando. E dane-se quem já parou de buscar. Eu Sou e ponto final.
É quando você entende, plenamente, que o ignorante e o sábio, por fora, parecem iguais.
Surge um sentimento de completude. Você não se arrepende do caminho que percorreu, não julga o caminho que as outras pessoas estão escolhendo percorrer, nem se importa com o que vem depois.
Mas se a busca ainda o anima, continue! É porque o caminho ainda não chegou ao fim. Porque uma coisa eu digo, quando ele chegar ao fim, você vai saber, depois de um tempo. Então, não se preocupe com isso desde já. Mas desperte a consciência pra detectar esse fim, apenas percebendo o que as coisas provocam em você. Lá no final, todos vamos nos encontrar um dia.