segunda-feira, 13 de abril de 2015

Pensamento

Rio de Janeiro, abril de 2015

Será que o pensamento é realmente capaz de criar?

Há controvérsias. Já aceitei que sim, mas, por experiência e observação, venho descartando isso. Pode até criar algumas coisas, mas nada verdadeiramente significativo. Pensar e acontecer só com muito esforço e, ainda assim, pra pouco resultado.

“O homem é resultado de seus pensamentos” é, portanto, uma afirmação questionável e muito mental. Afinal, pensamentos vêm da mente e a mente não é a nossa parte criativa, que de fato não está do lado direito do cérebro, diga-se de passagem; está no nosso verdadeiro ser. A mente apenas expressa, de diversas formas, a nossa criatividade. O que acontece é que, para mim, o homem é resultado de suas sugestões, de suas programações, ou seja, quando ele pega um pensamento e acredita muito nele, essa sugestão é capaz de criar, até certo ponto, porque envolve uma determinada emoção, uma quantidade de energia, tornando isso um pouco mais forte do que um simples pensamento.

Mesmo assim, não acho que seu poder seja tão eficaz. Tomemos como exemplo pessoas que morrem de medo de ser assaltadas e rezam pra não ser. Se elas temem ser assaltadas, provavelmente serão, segundo a afirmação “o homem é resultado de seus pensamentos”, mas a mente tem suas defesas e rezar para não ser pode neutralizar a situação; portanto, pessoas que pensam o tempo inteiro que podem ser assaltadas, não serão, necessariamente, porque “o homem é resultado de suas sugestões”, que no caso é acreditar que não será porque rezou pra isso. Outro exemplo seria a pessoa pensar que vai ganhar na loteria, com toda a força de sua mente. Como ela mesma não consegue acreditar nisso com o mínimo de força exigido, ela acaba não ganhando. Simplesmente pensar não faz acontecer. Desejar que algo aconteça cai na mesma questão, aumenta um pouco mais a possibilidade, porque move um pouco mais de energia.

De qualquer forma, ambas as coisas, tanto o pensamento como a sugestão, e mesmo o desejo, ficam no âmbito do acreditar e não do saber, que realmente é o elemento criador e que aparece quando se tem consciência, percepção.

Resumindo, fazer comentários, negativos ou positivos, sobre algo não leva à realização de nada. Se acreditar em alguns pensamentos, negativos ou positivos, pode obter um resultado parcial, mínimo ou de curto prazo, pois é onde se está colocando a consciência, mesmo que ela seja uma consciência embotada e não plena. Se sentir paixão, desejo (raiva incluída aí) por alguma coisa, aumentam as chances de realizá-la, positiva ou negativamente, mas não é garantia de nada.

A criação real vem apenas quando se está consciente, se tem percepção, se acessa o saber plenamente, e, então, diante destas circunstâncias, jamais será uma criação equivocada.

Conclusão: As diferenças parecem sutis, é tudo muito complicado e não se pode afirmar nada com total certeza, apenas ter experiências e deixar a mente tirar suas próprias conclusões, pois, afinal, fazer estas conjecturas é simplesmente uma brincadeira, uma distração mental.

Não perca tempo preocupando-se com seus pensamentos. Apenas tenha consciência das dinâmicas. Permita-se vivenciar, observar, brincar, mudar de opinião, expandir-se, pois só é complicado mesmo quando ficamos estagnados, de um jeito ou de outro. Pois é nesse interagir de pensamentos que acabamos aumentando nossa consciência, naturalmente, sem forçar, sem pensar, sem buscar um caminho até lá.