domingo, 22 de março de 2015

Ilusão

Rio de Janeiro, março de 2015

Será que há diferença entre ilusão e verdade?

Não. Primeiro porque não existem verdades, nem mesmo uma verdade absoluta sequer. Tudo que há é verdade, mas também pode não ser. Parece confuso.

Mas o que é ilusão? Como as verdades, também não existem ilusões. Algo que você pensa, imagina, faz ou sente é, de um jeito ou de outro, uma criação e, sendo assim, não é algo falso, é verdadeiro.

Então, como ficamos com relação a existirem ou não existirem verdades e ilusões?

Há um conceito antigo de que coisas sábias são verdadeiras e coisas mundanas são ilusões, coisas espirituais são verdadeiras e coisas humanas são ilusões. Mas isso é apenas uma impressão que se tem de algo, um ponto de vista, uma forma de separação, de julgamento.

Dizer que há ou não há verdade e ilusão é o mesmo que dizer que algo é bom ou ruim, feio ou bonito, certo ou errado. É tudo questão de dualidade.

Tudo pode ser de um jeito e de outro, ao mesmo tempo. Imaginação e realidade podem conviver, tempo e não tempo, humano e espírito podem existir juntos. Pode haver dualidade, multiplicidade e singularidade, unicidade. Podemos brincar com um lado ou com outro, quando acharmos melhor. Isso é consciência, é ter uma percepção expandida de tudo. Isso é mestria.

O que é preciso é aceitar que tudo acontece, que temos escolhas. O melhor a fazer é nos harmonizarmos, encontrarmos o equilíbrio e o desequilíbrio ao mesmo tempo. É simplesmente sermos, sem nos preocuparmos com a verdade ou com a ilusão.