Rio de Janeiro, abril de 2011
O que é essa coisa que parece nos dominar?
É claro que o medo é produto da nossa mente. Ele vem de um acúmulo de informações distorcidas a respeito das coisas. Medo é, na verdade, o contrário de Amor. Quando se ama tudo o que há, não se teme nada, pois o que existe não é bom nem ruim. Quando se tem medo, não há amor, pois é sinal de que não se gosta de alguma coisa. Portanto, você tem medo quando está pendendo mais para o lado da mente e você tem amor quando está pendendo mais para o lado do sentimento. É óbvio que as pessoas alternam o tempo inteiro entre mente e sentimento; então, entre momentos de medo e de amor. Quando alguém é apenas sentimento, o tempo inteiro, pode-se dizer, que encontrou a paz, iluminou-se. E quando é apenas mente, que encontrou a loucura – não aquela do “maluco beleza”; a tradicional –, a obscuridade do ser.
Bom, vamos considerar, então, os medos, as fobias, que são os medos exagerados, e a síndrome do pânico, que intuo como sendo um conjunto de medos e fobias que imobiliza uma pessoa, a sua atuação no mundo. Enfim, qualquer medo.
Num desenho animado, um personagem disse assim: “É engraçado como o medo se alimenta de si mesmo, como se fosse um carrapato inchado, prestes a explodir numa bolha enorme.” Esse carrapato, na verdade, é a mente. Quanto mais medo se tem, menos confiança se tem, ou no seu poder de superar o medo ou mesmo de vencer o objeto do medo, aceitando que ele aconteça ou aceitando a sua mestria que o impede, sem esforço algum, de acontecer. É o medo se alimentando do medo. Daí, a mente começa a fazer elucubrações a respeito do que você está sentindo. Ela, literalmente, dá asas à imaginação, sempre para o lado do medo e não do sentimento verdadeiro, digamos assim, acumulando informações que deixam você a ponto de pirar. É o carrapato prestes a explodir.
Já dizia Osho: “Você precisa ter um coração confiante. Uma mente confiante não adianta, porque estruturalmente a mente não pode confiar. Ela é incapaz de confiar. A mente só pode duvidar; a dúvida é natural para a mente, é intrínseca à mente. A cabeça nada pode fazer a não ser duvidar. Assim, se você começar a forçar crenças à cabeça, essas crenças só esconderão suas dúvidas.” E isso gera o medo, qualquer medo, medo de qualquer coisa.
Conclusão: O medo é mais um artifício da mente para que ela se mantenha no controle de todas as situações. Quando a mente “perde a mão” com relação à determinada situação, ela deixa de atuar na “normalidade”, na “lógica” simples, e o medo começa a dominar e a tirar o ser de seu próprio ser, ou seja, do sentimento verdadeiro, do “coração confiante”, do Osho. Quando se vivencia o medo extremo, seu próprio ser fica apagado. E, quando se tem noção, consciência disso, é que fica realmente assustador. Mas ao menos você vê o mecanismo atuando e esse é o primeiro passo para se livrar do medo.
Como aliviar essa pressão do medo: 1) Respirar, fundo e continuamente, pois a tendência, quando se está com medo, é quase a de suprimir a respiração, ajudando no quadro de desligamento do ser verdadeiro; 2) Tentar fazer a mente acreditar que você consegue, você pode, você é capaz de se equilibrar e ser você novamente. Às vezes, isso exige um gatilho, uma espécie de deixa para que a mente relaxe e se entregue a você. Esse gatilho pode ser falar com um amigo, fazer alguma coisa que distraia, etc.; 3) Aceitar que tudo são experiências que seu ser está vivenciando. Isso ajuda na hora que se sentir ridículo diante de outros ou de sua própria mente “normalizada”. É, porque diante do seu ser verdadeiro, não há bem nem mal mesmo, pois ele já sabe que são experiências; 4) Saber que um dia, isso vai passar, de um jeito ou de outro, aconteça o que acontecer.
Novos horizontes vão surgir sempre, certamente. Mas serão muito pessoais, muito diferentes para cada um...