Rio de Janeiro, março de 2012
É possível conviverem no mesmo plano?
Temos noções diversas com relação a essa coisa chamada alma. Numa visão simplista, se estamos encarnados, animando um corpo físico, é porque temos uma alma. Todos os seres vivos, portanto, têm alma. Até aí tudo bem. É dito, inclusive, que ela passa a habitar o corpo no momento da primeira respiração quando se nasce. Somos, então, humano e alma juntos, pois o humano inclui a alma. Nesta visão, acreditamos num Deus no plano divino e nos consideramos meros humanos insignificantes.
Religiões e filosofias descrevem a alma de diversas maneiras. Uma outra noção derivada dessas muitas explicações sobre alma é a de que ela permanece em seu pedestal divino, enquanto envia uma pequena parte de si pra viver no mundo físico. E, diga-se de passagem, ampliando um pouco mais essa visão, ela também mandaria pequenas partes de si pra diversos outros lugares, inimagináveis por nossa mente humana, sendo, portanto, muldimensional enquanto realiza suas experiências. Aqui, podemos continuar acreditando num Deus distante ou, se nos considerarmos realmente uma parte de Deus, podemos dizer que nossa alma, neste caso, ainda distante, é esse Deus, mas continua lá num plano superior.
Para que humano e alma vivam realmente juntos aqui nesta dimensão, o que caracteriza a ascensão, o último passo do despertar, é preciso exterminarmos estes dois conceitos errôneos criados pelo homem: o de que existe um Deus, seja qual for, que impõe nossa realidade e cria destinos para as pessoas, e o de que existe pecado e, como a alma é sagrada, não pode fazer parte destas coisas mundanas. É preciso substituir esses conceitos por estes outros: Nós é que somos Deus, apesar de existir uma Fonte de onde viemos, e tudo que fazemos na vida são experiências, portanto, dignas da evolução de todo ser, sejam quais forem.
Com isso, não ficamos esperando alcançar uma condição especial em que tenhamos resolvido todas as nossas questões espirituais, não ficamos buscando uma cura pra tudo que consideramos desagradável em nosso ser, não ficamos almejando determinadas situações pra que outras possam acontecer e por aí vai. Enfim, deixamos de continuar seguindo por um caminho de busca infinita e passamos a aceitar que é aqui e agora o momento certo.
Ao atingir esse patamar descrito, fica mais fácil nos amarmos, nos aceitarmos, o que leva a amarmos e aceitarmos as outras pessoas e coisas, sem julgar nem criticar. Quando isso acontece, é porque estamos prontos pra convidar a alma a estar conosco na nossa jornada, a compartilhar nosso corpo como uma coisa só, com experiências físicas e espirituais reunidas.
Só assim é possível humano e alma conviverem no mesmo plano. É a ascensão, a integração, a completude. Qualquer outro cenário terá alguma parte faltando.
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