Rio de Janeiro, outubro de 2011
Como é essa relação?
Do ponto de vista da criança, o educador é aquele que a reprime, que não a entende, que parece viver noutro mundo que não o dela. Do ponto de vista do educador, a criança é aquela que tem que aprender o que ele tem a ensinar, que precisa ser encaminhada numa direção e que não sabe de nada porque ainda não viveu o bastante.
Considerando que a criança realmente tem dons, talentos, vontades e, normalmente, uma bagagem cósmica que acaba sendo desprezada, é o educador que precisa, primeiramente, aprender com ela antes de sequer pensar em orientá-la.
A relação entre criança e educador não deve ser do tipo ser inferior, que não sabe nada, e ser superior, que sabe tudo. É necessário que haja uma troca, como em qualquer relacionamento. Deve ser mais como uma parceria em que ambos demonstram respeito por receberem respeito do outro.
Ninguém é igual a ninguém, portanto, não pode existir uma receita de bolo que atenda todas as crianças. A cada uma deve ser dada a liberdade de escolher seus gostos, seus rumos, e, para poder orientá-la, o educador deve ser capaz de observar a criança, perceber a essência dela, tratá-la de igual para igual, ser amigo, ter diálogo contendo ou não palavras. Só assim ele aprenderá a natureza da criança e só assim ela desenvolverá a criatividade necessária pra ser feliz no que escolher fazer.
A grande questão é que o educador quer passar conhecimentos da mente e fazê-la esquecer os conhecimentos do sentimento. Seja mais cabeça e menos coração. O velho princípio de que, se é bom, não presta, pois sofrimento e trabalho árduo é que trazem louros. Louros superficiais, vazios e nem um pouco realizadores.
A Educação, seja a da escola, seja a dos pais, precisa dar uma virada, rever seus conceitos e valores, ser mais humilde. Sem criatividade, não tem quem aguente matemática!
Educador, seja esperto, a arte muda o mundo, porque a criatividade facilita o trabalho de todos, educadores e crianças. Se as crianças são criativas, o trabalho dos educadores é muito mais gratificante. Há troca, há retorno, há estímulo. Deixa de haver tensão e há um relaxamento propício a todo e qualquer aprendizado. Educador, seja esperto! As crianças agradecem.
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